segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Vida

Até a noite de sábado me julgaria em óbito.
Para o meu espanto, surgiu uma iniciante e primitiva forma de vida dentro de mim.
Carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio já se faziam presentes.
O que me faltava era a energia.
Um raio de luz, um foco certeiro e veloz fez os elementos concatenarem.
Em pouco tempo, os olhos se abriram, o corpo balançou, criei locomoção. Parei e olhei o vento que soprava. Coisas ganhavam cor e animação. O tempo já não era tão devagar.
Vi mais sorriso do que tristeza e era a vida. Ouvi o som mais íntimo e senti uma sensação que eu reconhecia. Era de vida. A vida acontecendo. Coração aperta e as pernas sem obedecer. É cegueira que ver e surdez que escuta.

Eu estou vivo.

Cego.

O melhor do instinto é a sua cegueira.
Ele desconhece o que se tem no meios das pernas.
O instinto é incosciente.
Quer homem, quer mulher, qualquer coisa.
A exigência é só satisfação e gozo.

domingo, 11 de outubro de 2009

Quer conhecer um homem dê poder a ele.

Qual a relação entre poder e humildade?
A resposta eu ainda não sei, só sei que parece que são grandezas inversamente proporcionais.

Analisando a trajetória e o percurso de alguns ícones, que diga-se de passagem se conformam com muito pouco, percebe-se nitidamente como é fácil ser corrompido pelo banquete farto do poder.

O poder desestabilizar o sistema de aprendizado: comportamentos, atitudes, cognições,índole, caráter e tudo que se comporta a postura mutante.
Ouvi dizer por ai que educação vem de berço e que a família representa para o individuo o grupo de referência primário. Esse grupo é capaz de impregnar no indivíduo o que chamamos de "raízes": daqui parte a boa ou a má educação.

Já vi pessoas simplinhas(como diz Hebe) se transformarem em indivíduos arrogantes e pernósticos. O que é preciso para que essa mudança ocorra? Um estalo. Eu não sei bem em que proporções ou quantidades, só sei que o contato com o poder é algo transformador e perigoso. Dai a ineficácia do aprendizado de toda uma vida. o poder desestabiliza. O poder é fatal. O poder renova. O poder transforma. Talvez o poder torne visível o que o ser humano realmente é, despido de moral e ética.

Poucas pessoas conseguem conviver pacificamente com o poder. O poder é um marco no calendário da vida humana. Eu tenho medo do poder, não sei como vou me chamar se um dia encontrar com ele.

sábado, 8 de agosto de 2009

Sobre as religiões africanas

Tomei iniciativa de escrever sobre religiões africanas por pensar que existe um certo leiguismo entranhado no inconsciente coletivo. Declaro, antes de tudo, que não tenho finalidade de alterar o que já existe, não tenho pinta de político ou filósofo, mas vou registrar minhas verdades. Vamos aos fatos:
As religiões africanas, quando comparadas com as religiões milenares, se colocam mais próximas do que seria original. Sendo assim, qual seria a melhor explicação para o menosprezo?

Se essas, não estivessem ligadas intimamente a características subalternas - e aqui me refiro a cor e poder - talvez fossem as majoritárias hoje em dia. Analisemos as palavras: candomblé, macumba, mandinga, maleita, terreiros e santos. Estranho. As palavras parecem estar sempre presas e relacionadas à decadência, são “coisas de pobre”. Esse será o objeto do texto. O conceito perambula nas mais diferentes maneiras de aprender, seja na família, grupo de referencia primitivo; seja na escola, grupo secundário; ou na Igreja que, ao meu ver, é quem fomenta e injeta todo o imaginário das civilizações ocidentais.

Preconceito é a palavra do momento, é a defesa dos grupos marginalizados. No caso das religiões africanas, hoje subjulgadas, observa-se que fatalmente elas se tornaram presas fáceis num contexto de colonização da Europa absolutista e mais tarde no neo-colonialismo do século XIX. Megalomaníacos, os europeus, detentores do poder e despidos de vergonha e respeito, invadiram e injetaram nas culturas dominadas os seus hábitos que foram banhados pela articulada e muito bem fomentada igreja católica. O critério de estrutura organizacional é fundamental para prever o impacto e a força de uma religião e o gênese da segregação.

Óbvio que não existe algo natural no âmago da coisa, mas vale a pena identificar o que nos parece inaugural. O protestantismo bebeu da fonte do catolicismo que bebeu da fonte do Judaísmo e assim a originalidade foi sendo perdida. E aqui cabe a pergunta: O que é real? Qual é a verdade? Qual a razão do preconceito?

Os africanos, assim como os indígenas latino-americanos, foram vítimas e presas fáceis para os “brancos do conhecimento” e assim foram criados os alicerces do intitulado preconceito. No caso do Brasil, por exemplo, vejamos como funciona a implementação do novo. Os negros trouxeram de Angola o Lundu, uma dança de balanço e umbigada; os portugueses, por sua vez, trouxeram a Modinha dos salões nobres da coroa lusitana, sendo travada a briga do milhão contra o tostão, resultado: a Modinha prosperou e o Lundu foi deixado de lado, não era um gênero de bom tom, não era visto com bons olhos. Com a religião não foi diferente.

Os Estados Unidos da America, por sua vez, foram colonizados pelos ingleses, que neste momento, expandiam a nova forma de justificar Deus e sua política econômica. O protestantismo ganhou apoio e território propício para ser desenvolvido e praticado. Um golpe de mestre. Se existia algum ensaio de Ritual na América, não era organizado por excelência e acabou dando vez ao mais organizado. A receita é organização e poder.

Antes de qualquer conclusão precipitada, ratifico que não sou religioso e minha grande admiração é pela cultura nas suas mais diferentes formas de acontecer: religião, música, arte, política, economia, sociedade, organização, costumes etc.
O desejo de escrever sobre isso, nasceu dentro da minha casa quando escutava pontos de macumba de um cantora da MPB em som alto. O espanto da minha família foi inevitável, assim como o meu desejo de responder. Essa é minha resposta.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Lady Laura

Nesse post, com toda certeza, não vou poder realmente dizer o que sinto por não saber traduzir certas coisas. Não há sinônimo.Estou apenas na reles tentativa de registrar o sentimento.
Hoje eu saí, fui ao centro da cidade e comprei o DVD de Roberto Carlos, esse último do especial da Globo.
Bem, agora, eu estou assistindo. Já passaram todas aquelas músicas que acabam com a gente que destroem e esfarelam o que chamam de coração.
Existe uma canção, por sinal, em que me envolvo completamente eu choro sempre que escuto, não pense que isso é drama.
Eu escuto cada palavra e cada palavra entra como ondas sonoras, não só nos ouvidos, em cada póro do meu corpo. Estou escutando Lady Laura.
Eu não estou muito bem agora, tenho a impressão de que não sei bem o que estou escrevendo, meus dedos não param.
Minha mãe é muito importante na minha vida, Eu sei que toda mãe é, não pense que eu não sei. Mas às vezes paro para pensar e percebo quão imaturo e fraco sou por achar que não saberei viver sem ela. É um sentimento imenso e pleno como o oceano, é um sentimento oceânico - essa é a dominação que se aproxima do que sinto. Sempre que escuto essa canção eu não consigo não pensar que um dia nós - eu e ela - iremos nos se.p-a.rar. Sem piegas porque eu não gosto: minha mãe é minha grande amiga.
Se existe reencarnação: os laços afetivos nos unem.
Se existe céu: só em saber que irei encontrá-la, sinto-me aliviado.
Mas, se não existe, e essa é a tendência da minha crença, eu fico muito exaurido de chorar. Vivemos em um acordo íntimo assim como a mão esquerda e a direita, nós dois somos como os ponteiros do relógio, eu o dos minutos e ela o da hora, eu ando na frente ela me segue, me olha. Nos encontramos a cada hora-nova. Tenho medo do fim dessa pilha.
Nesse mundo não há ninguem que importe mais pra mim do que minha mãe. Tem dias que acordo chorando,na madrugada, ela não sabe, e assisto ela dormir sozinha. Uma colega da faculdade chamou de psico-patologia.
Nunca vi nada assim, é muito justa a minha relação com ela. É uma cumplicidade , é uma amizade sólida e me doe a certeza de saber que nao posso encontrar isso em outra pessoa. Se Deus existe, eu agradeço por me colocar nesse ventre, por me dar esse colo, essa voz, esse jeito, essa birra, essa chatisse, esse tudo. Eu amo minha mãe. Agora acabou a música, não posso mais chorar!

terça-feira, 30 de junho de 2009

Um bumba sem capitão

Estou em uma locomotiva com um som alto, eu pareço feliz, estou seguro e confiante.
Vai, você acha que dar certo, que pode dar certo, na verdade tem tudo pra dar.
As situações casam fielmente com as atitudes. Os ponteiros de cada minuto e hora param exatamente em tempo correto.
Você espera uma ligação, ela vêm. Espera que a janelinha do MSN pisque e ela tá lá se sacudindo e pedindo pra ser aberta, você imagina um encontro e como se fosse ensaiado ele também é marcado. Coincidências que até assustam!
Desconfio do ótimo e do superlativo,como canso de dizer: o idealista é um incorrigível.
O tempo passa, e estou a 200 por hora na minha locomotiva e continuo parafraseando, dessa vez o Rei. Comecei a dirigir a pouco, mas sigo seguramente. Eu estou confiante nas curvas e na estrada. Não tem 6º marcha, mas eu crio, quero mais.
Em um espelho ainda na estrada vejo refletir um vulto, um rápido vulto, acho que era eu. Estou confiante. Estou cheio de promessas, expectativa e sonhos, porque a realidade me permite isso.
A rapidez é incalculável, agora vejo imagens de cor branca e vermelha, são placas, parece que são placas, também não sei.
Eu preciso diminuir, preciso parar, preciso pensar, reduzo ainda tão rápido, ainda sem controle, menos, menos, quarta, terceira, freio abrupto e antes que bata eu consigo parar, estou agora parado no meio do caminho, é deserto, não há sons, nem nada, não sei onde ir: muitos caminhos e agora a incerteza.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Vou te ensinar meu olhar

Olhe, repare e pense.
Há chance de lapso?
-Não.
Então pare, isso não basta.
Olhe e veja de uma forma errada.
Faz sentido?
-sim.
Não desista, agora é a hora da análise.
Veja e reveja, mude de posição, inverta os papéis.
Parece lógico? É Racional?
-Tavez.
Mas não desista: se é humano tem que haver frepas da falha.
Mude o contexto, mude a data.
E agora, tudo certo?
- Eu não sei.
Ao chegar a essa resposta voce atinge o nirvana
a incerteza, é a maior certeza.

Conclusão: Coisas mutantes, tempo em constante transformação, humanos complexos, conceitos subjetivos, moral e ética anti-naturais, tempo relativo.
Nada absoluto, nada se sabe.